Comunidade terapêutica em SP - São Paulo

ITTC EXPLICA: O QUE SÃO COMUNIDADES TERAPÊUTICAS?


A comunidade terapêutica (CT) é uma forma de intervenção clínica voltada especificamente para usuários de drogas. O primeiro movimento do modelo contemporâneo pode ser rastreado até meados do século XX, inicialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. O primeiro CT do Brasil, denominado Desafio Jovem, foi instalado em Goiânia em 1968.

A gestão da comunidade de cura brasileira sempre esteve intimamente ligada aos movimentos religiosos, com mais ênfase nas iniciativas privadas relacionadas às crenças católicas ou evangélicas. Por isso, entre muitos deles, o pilar “espiritual” é considerado a base do modelo assistencial proposto pela CT junto com os pilares disciplina e trabalho. Oferecer a doutrina religiosa cristã como prática espiritual é opcional, mas tem ganhado muito apoio na versão brasileira do conceito, principalmente devido à origem do modelo naquele país.

O objetivo da comunidade de tratamento é baseado no modo de abstinência de fazer as pessoas pararem de beber e de consumir outras drogas por completo, o que vai de encontro ao modo preconizado pela redução de danos, que prevê o uso responsável e consciente com base na diminuição. Antes de entrar na CT, a pessoa deve se comprometer com a abstinência como condição para iniciar o tratamento. Uma vez dentro, o paciente rompe a conexão com a comunidade externa – uma relação de coexistência limitada entre seus próprios colegas e a equipe da instalação – e começa a participar do processo disciplinar de alternância de trabalhos diferentes, práticas religiosas espirituais e acompanhamento médico – pra cima. O tempo de internação varia de quatro meses a oito anos.

O PROTAGONISMO DAS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS NA NOVA POLÍTICA NACIONAL SOBRE DROGAS

O CTs ressurgiu como um centro de discussão pública em março no ano de 2019, quando por meio da ação coordenada da Federação das Comunidades Terapêuticas e do Departamento de Cidadania do Governo Jair Bolsonaro, foi aprovada legislação para regulamentar claramente essas instituições. O modelo de TC teve amplo respaldo na área administrativa, e teve respaldo na linha geral de proibicionismo da Política Nacional de Drogas-PNAD aprovada e publicada no Diário Oficial em abril do mesmo ano..

No texto da Pnad há uma referência à coerência entre o poder público e a “posição principalmente oposta do povo brasileiro sobre as iniciativas de legalização das drogas”. O decreto também inclui o TC como forma estratégica de apoio estatal para “promover e garantir a convergência e integração das intervenções de tratamento, reabilitação e reinserção na sociedade”.

O jornal Nexo solicitou acesso a dados financeiros sobre o valor do repasse do governo Bolsonaro para essas instalações. De acordo com as informações levantadas, entre 2018 e 2019, o investimento em CT triplicou e o número de vagas financiadas com recursos públicos quase dobrou. Portanto, é uma forma de usuários problemáticos de drogas preferirem o tratamento à comunidade a outras formas de cuidado.

Em julho no ano de 2020, o Comitê Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) estipulou a possibilidade de acolhimento de adolescentes e jovens de 12 a 18 anos na comunidade de tratamento, o que mais uma vez ampliou a polêmica em torno do uso desse método como forma de punição e não como forma de punição meios de punição.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!